Mas a forma de expressão de Nicholas não é nova. É sofista, espalha fake news, nega o que disse antes conforme a situação... Existe uma figura que conheci, por meio de uma biografia nos anos 90 - Roy Cohn. Ano passado descobri que fora o mentor de Trump. Se conheceram em 1972.
Cohn foi o advogado mais duro, cruel, vil e brilhante da América” no século XX. Foi responsável por mandar o casal Rosemberg para a cadeira elétrica sem provas consistentes e, por isso, o bruxo nos bastidores das “comissões antiamericanas” durante o macartismo.
Ele seguia três leis que inventou: 1) atacar, atacar, atacar; 2) negar tudo; 3) nunca admitir derrotas, aconteça o que acontecer. É o estilão de Trump, que toma posse hoje, que foi imitado sem talento por Bolsonaro (responsável por parte das 700 mil mortes durante a covid por conta de seunegacionismo) e por Nicholas, que possui mais talento.
Mas se há uma coisa que a história registra é que essas pessoas são muitos perigosas e danosas para a sociedade, sempre implicando em banhos de sangue, mais ainda quando seu cinismo é substituído por fanatismo. Nicolas deveria ser analisado pelo conteúdo do que diz, suas contradições que são minimizadas pela capacidade de oratória olavista e de entendimento de como funciona as redes sociais (como defender trabalhadores duma suposta taxação do pix, após ter votado na taxação da shopee e outros portais que fornecem uma curta alegria para os pobres).
Nisso, Pablo Maçal também é um craque. Fez fortuna com fanfarronices de socar tubarões, dirigir melhor do que Senna, e um “mindset” de que basta querer (como o sol não é para todos, a culpa será sempre sua por não conseguir).
Nicholas Ferreira teve 300 milhões de compartilhamentos de seu vídeo contra o controle do pix. Funcionou? Claro! É baseado numa suspeita que leva ao medo. Mas o Brasil tem 220 milhões de habitantes. Em tempos de robôs e algoritmos internacionais à disposição de uma ideologia cujos objetivos são muito claros, quantas pessoas compraram sua retórica ou o medo que ela causou?
Essas pessoas precisam ser combatidas diuturnamente. Não tem escrúpulos m espalhar mentiras nem compromisso com uma análise honesta da verdade. Vejam como a vacinação caiu no Brasil.
É só semear suspeita, privilegiar aspectos secundários de uma discussão, desqualificar moralmente o oponente. Aprendi isso no início dos anos 80, discutindo a ditadura com os onipresentes velhos barrigudos e “imbroxáveis” que lotavam os botequins de Santa Tereza e da Floresta. Uma mentira bem embalada jamais se tornará uma verdade. Só durante algum tempo, talvez durante um mero minuto decisivo.
